Uma casa para o presente. Uma arquitetura para a vida.
Projetar para o futuro também significa pensar em como os espaços podem acompanhar as mudanças de quem vive neles.
Uma residência pode atravessar décadas. E, durante esse tempo, muita coisa muda.
Mudam as rotinas, as prioridades, a composição das famílias e também a maneira como nos relacionamos com os espaços.
Por isso, pensar na longevidade de um imóvel vai além da qualidade dos materiais ou da permanência de sua arquitetura. Significa considerar se aquele espaço continuará fazendo sentido para quem vive nele ao longo dos anos.
A distância entre o carro e a porta de casa, a quantidade de etapas de um percurso, a presença de obstáculos e a facilidade de circulação são decisões de projeto que podem passar despercebidas hoje e ganhar importância em outro momento da vida.
Uma arquitetura preparada para o futuro é também aquela capaz de acompanhar nossas próprias transformações.
Quando a vida muda, nossa relação com os espaços também muda
Pensar dessa forma amplia a própria ideia de acessibilidade.
Rampas, elevadores e portas mais amplas são elementos importantes, mas a experiência de morar envolve muito mais. É preciso observar o percurso completo e as pequenas ações que se repetem todos os dias.
Como chegamos em casa? Qual é a distância entre o veículo e a residência? Quantas etapas existem nesse caminho? Como carregamos compras, malas e outros objetos?
Para alguém com plena mobilidade, essas questões podem representar apenas conveniência. Com o passar dos anos ou diante de uma mudança temporária de mobilidade, podem adquirir outro significado.
O que hoje facilita a rotina pode, amanhã, contribuir para preservar a autonomia.
Não se trata, portanto, de criar uma arquitetura exclusiva para determinada idade. Trata-se de reconhecer que as pessoas mudam e que os espaços podem ser pensados para acompanhar diferentes momentos da vida.

Park Haus: uma chegada pensada diferente
Essa reflexão também pode ser observada no conceito do Park Haus Cacupé, empreendimento da Beco Castelo em Florianópolis.
No modelo convencional de edifícios residenciais, o morador deixa o veículo em um pavimento de garagem e percorre o caminho até o apartamento utilizando elevadores ou escadas.
No Park Haus, essa lógica muda.
Por meio de um sistema de rampas e vias internas, o veículo pode acessar os pavimentos residenciais, aproximando a garagem da residência. A solução faz parte de um conceito patenteado no INPI e cria uma relação mais direta entre o carro e o apartamento.
Essa proximidade transforma atividades simples da rotina.
Chegar com as compras. Descarregar malas. Transportar objetos. Entrar e sair de casa.
Ao reduzir etapas normalmente presentes nesse percurso, uma solução que oferece praticidade no presente também pode ganhar relevância conforme as necessidades dos moradores se transformam.
É uma maneira diferente de pensar a chegada considerando não apenas como vivemos hoje, mas as diferentes formas como poderemos viver aquele espaço ao longo do tempo.

Projetar para durar é projetar para as pessoas
Não é possível prever exatamente como será nossa rotina daqui a dez, vinte ou trinta anos.
Mas é possível reconhecer que ela será diferente.
É por isso que pensar no futuro de uma residência também significa pensar em circulação, acessibilidade, percursos e escolhas arquitetônicas capazes de continuar fazendo sentido com o passar do tempo.
Um imóvel pode permanecer no mesmo lugar por décadas.
Quem vive nele estará em constante transformação.
E talvez uma das formas mais relevantes de pensar a longevidade na arquitetura seja justamente aproximar essas duas histórias.
Criar espaços para o presente, sem deixar de considerar tudo aquilo que a vida ainda pode se tornar.



